sábado, 22 de fevereiro de 2014

" Quem comeu o meu sushi?"

   É incrivelmente belo passar alguns dias das férias no campo, não é mesmo? 
   Você é capaz de esquecer tudo ao tocar os pés na grama e passar as mãos sobre as flores sedosas.
   Nenhum lugar é capaz de te trazer tanta paz quanto àquele banquinho de baixo da árvore onde você senta e fica a pensar no nada... observando os pássaros que passam perto de você e ciscam por migalhas e frutos no chão.
   O cachorro late para um bicho que passa corriqueiro no mato. Você sorri com preguiça do ânimo que o animal tem em perseguir o desconhecido.
   Para de novo e olha para a casa. " O que será que estão cozinhando lá
dentro?" , você se pergunta e imagina todos os tipos de quitutes, desde o bolo mais simples até a torta mais doce.
    E dentro de todo esse cardápio delicioso, o silêncio te pega e faz você pensar em quanto tempo ficará ali, naquele refúgio, onde os cabos da internet não chegam e... onde não há sequer um mísero restaurante de comida japonesa. "Ai minha nossa, como vou fazer sem meu sushi?", "Como podem as pessoas viverem nesse lugar e nem saber sequer que existe uma comida tão deliciosa como o sushi? Que me perdoem os bolos, mas um sushi tem seu lugar..Ta bom, já chega. Preciso voltar para a cidade!".



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

"Quanto mais as coisas parecem mudar...

mais elas permanecem as mesmas."

     Ok, não tirei essa frase de uma super fonte, mas a música de Corinne Bailey Rae não está muito errada não. Poderia lhe pedir para imaginar um quadro social como o que estou prestes a descrever. Mas não preciso que use da sua imaginação, porque ele está bem a sua frente.
     Quantas vezes você assiste a um telejornal e sente que o mundo virou de cabeça para baixo e que tudo o que acontece é assassinato, roubo e sequestro? Querida(o), existe um motivo para que a violência seja tão reportada quanto é. Simples, eles não querem que você pense, afinal, violência tem toda hora. Mas e programas que discutam a realidade social, não pelo viés "precisamos de mais policiais nas ruas para prender bandidos" e , sim, o porquê dessas pessoas estarem nas ruas roubando e mesmo depois de presas, voltarem a praticar crimes? Não basta prender e esquecer as pessoas nas cadeias. Você realmente acha que está privado de violência quando um ladrão é preso? O chefe do tráfico está lá na cadeia, nesse momento, arquitetando e comandando operações do mesmo jeito. Mesmo o graúdo preso, não tem adiantado mais. 
   Então já sei, a solução é fazer justiça com as próprias mãos. Sério? Você não estudou história? Estava fazendo o que enquanto seu professor te ensinava sobre a ascensão de Hitler e o fascismo na Itália? Não sei você, leitor, o que pensa que é o problema, mas na minha concepção, parte do problema está que , hoje, a camada da burguesia média foi educada durante o período ditatorial, portanto, suas aulas de geografia e história não foram lá as mais elucidativas. Raso o problema? Também acho, afinal, eles poderiam ter procurado informação por conta própria. Mas, em vez disso, eles deixam para se informar através da grande mídia. Aí, o bicho pega. Tenha sempre em mente, por favor, uma história, um fato não tem um lado ou dois. Tem vários. E se só estão te contando um... aí tem coisa. Eles querem te deixar com medo e repetir o episódio do " perigo comunista". Olha só, a gente já caiu nessa uma vez. Custa ter um pouco mais de som senso agora?
   A relação da televisão com a notícia deixou de ser ( se é que algum dia foi) de fidelidade com o público. Estou chamando os jornalistas de antiéticos? Não necessariamente. Mas convenhamos, grande parte dos que trabalham para as grandes emissoras estão corroborando para a política empresarial do veículo. Tendo isso em mente, vale pensar no o que é considerado noticiável. Vamos lá né, te fazer pensar, depois de um dia cheio de trabalho, não é exatamente a forma mais eficaz de te segurar em um canal de televisão. 
  E onde eu quero chegar com isso tudo ? Muito simples. 
  O cenário que aqui descrevo é óbvio para muitos e constrangedor para outros. Mas a verdade é, o mesmo homem que julgou os índios primitivos porque eles não tinham prática de desenvolvimento de forma que sua produção gerasse excedentes, é o mesmo homem que acredita que o século XXI é completamente superior às barbáries medievais. Os tempos mudam, os objetos se desenvolvem, a "evolução" inebria as pessoas. Mas jovens justiceiros estão por aí, amarrando os sujeitos marginalizados em postes enquanto as pessoas aplaudem. Fique atento, caro leitor. Porque os que hoje te "protegem" dos marginais, um dia cobrarão por isso e pedirão em troca fatores valiosos, como a sua liberdade. Assassinar índios porque, em tese, eles não produzem e ocupam terras que acabam ficando inutilizadas é insano, porque o que os índios fazem ali, preservar a terra e cuidar dela, é o que você tem preguiça de fazer, quando houve a expressão " precisamos pensar sustentavelmente". Você tem certeza que primitivo é o índio ou os homens da caverna, porque eles não tinham as ferramentas mais desenvolvidas? E você que tem e utiliza de forma incorreta? E eu não estou falando de tecnologia. A sua ferramenta aqui é a educação, que você parece não saber usufruir com competência. 








    

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vim mostrar porque estou aqui


        


      Faz tempo que não venho aqui para fazer o que mais gosto: escrever. Seja sobre um fotógrafo, seja sobre um filme, um fato ou uma banda. Mesmo que seja só para colocar duas palavras. Confesso que havia perdido o gosto. Mas, recentemente, alguns fatos me trouxeram até aqui. Quando iniciei o blog era mais nova, cheia de sonhos. Sonhos que foram sendo esmagados pela "realidade". Fui enxergando meus sonhos cada vez mais embaçados e confusos. Fui entendendo que a realidade é dura e que nem sempre são os sonhos que regem as nossas vidas. Nossas vidas... E a minha vida? Quem rege? Eu ou o que esperam de mim? E, afinal, o que esperam de mim? O que eu espero de mim?Nesse ano que agora a minha agenda me mostra que está acabando, percebo que fiz de tudo um tanto. Mas, ao garimpar o que me satisfez de verdade do que só me massacrou, sobraram algumas grandes, porém poucas, pedras. Foi quando eu parei. Parei para observar e vi que com excessão de poucos, a maioria das pessoas não faz o que gosta. São pessoas desiludidas, frustradas, entediadas, encaixadas em um bloco, o do " segui essa carreira porque me falaram e eu acreditei que ter um bom salário me garantiria uma vida plena de satisfação". Quando, na verdade, o salário é convertido 40% em remédios para estresse ou pressão alta.
        Honestamente, o que faz valer a pena viver?Qual o sentido em trilhar um caminho sem chamas? Já cinzento e desestimulante? Por isso, deixo aqui declaradas a minha paixão. Paixão e vontade por querer fazer a diferença. Porque é isso o que conta. E não, ficar sentada na frente de um computador alterando números.



domingo, 23 de junho de 2013

Eu penso muita coisa, então vamos ver se consigo esclarecer algumas ideias...

Fazia tempo que não vinha até aqui rascunhar algo sobre a minha opinião. Na verdade, à cerca do que vou falar agora, talvez ainda não tenha uma opinião definida. Talvez nunca a tenha. Mas existem certas coisas que a história ensina e que a gente aprende. Sempre me classificaram como parte da geração " alienada", " acomodada"... Assim como na época da Ditadura não era todo jovem que estava disposto a ir para as ruas, na minha geração, nunca me senti parte do grupo alienado. Podia não estar gritando por aí e revolucionando, mas não estava dormindo, definitivamente... Acontece que agora, encontrei um grupo com o qual gritar junto. Mas sem perder a razão. Descobri uma forma de fazer meus anos de estudos refletirem na melhoria do meu país, que tanto quero ver transformado. Abro o facebook diariamente e recebo uma carga incrível de opiniões sobre as manifestações. Algumas equivocadas, outras furiosas, indignadas, outras corretas e algumas intolerantes.... Enfim, decidi que deveria dizer algo. Pode ser que você não concorde, mas a ideia é exatamente essa. Que sejamos capazes de nos expressar criticamente sobre o contexto no qual vivemos!



1.       Os movimentos, mesmo que com certo grau de vandalismo, são válidos. Vandalismo incomoda e chama a atenção. Inicialmente,  para um lado negativo. Posteriormente, faz com que as pessoas se informem e que, portanto, cheguem à conclusão de que a maioria presente nas manifestações está lutando por um direito que é de todos ( inclusive dos ausentes).
 2.       Os movimentos são recentes. Então NÃO, ele NÃO tem líder, AINDA. É preciso que aqueles que se sentem aptos a representar o grupo manifestante de sua cidade se organizem. E, principalmente, comecem reivindicando questões locais. Uma cidade organizada capaz de fazer com que suas manifestações tenham reações positivas locais, respostas por parte de seus representantes, servirá de exemplo para as outras. E isso, permitirá, em conseqüência, a união de todas a fim de reivindicar as questões nacionais. Seguindo a idéia de  “ arrume seu quarto primeiro e, depois, salve o mundo”, devemos, primeiro, organizar nossas cidades e, depois, nos unir com um único propósito, fazer Brasília responder de acordo com o que o povo pede. Brasília é longe sim, mas não é em outra galáxia.
 3.       O movimento é de todos, a rua é pública. Reprimir pessoas integrantes de partido é atitude de pessoas fascistas. E, até onde eu sei,  esse tipo de governo não é exatamente eficaz do ponto de vista histórico. O que o Brasil precisa é de uma reforma política, uma re-identificação dos partidos que há muito tempo não possuem mais uma consistência ideológica.
4.       Não adianta ir para as ruas agora, como verdadeiros leões e ir para as urnas votar como burro. Tenha isso em mente: os políticos vão se aproveitar, e muito, desses protestos em suas campanhas eleitorais. Alguns deles ( coff, coff, Aécio Never, coff,coff) já o estão fazendo . Seja antenado, se você não tem um candidato, NÃO vote no ”menos pior”. Isso não faz com que o seu pais seja um pouco menos mal governado.  É preferível que haja outra eleição e uma renovação dos candidatos até que alguém que de fato irá nos representar, ou seja, ouvir, avaliar e efetivar as propostas seja eleito.
5.       E que venha a Copa do Mundo. Achar que o cancelamento da Copa é legal é um equívoco. O prejuízo seria imenso e, além disso, estaríamos perdendo a oportunidade de mostrar ao vivo os verdadeiros motivos dos protestos.  Os membros das Confederações são pessoas influentes, a opinião deles gera grande repercussão e pressão, também. Então, que venha a Copa, mas, dessa vez, para atender a outras necessidades que não a do entretenimento.
6.       Informe-se. Saiba explicar e argumentar sobre o que você defende. Não julgue e não crie preconceitos. Atualize-se. As informações estão saltando em todos os meios de comunicação. É preciso  “ garimpar” uma fonte de informação confiável. É preciso senso crítico diante de uma reportagem. Tenha conhecimento de causa.
7.       Sim, as manifestações são contra muitas coisas. Em alguns casos, parecem que não sabem para onde atirar. Por que será? Motivos para gritar não faltam. É necessário cautela e organização. E não pense que isso não está acontecendo. É tudo uma questão de tempo. E se existe  “aproveitador” no Congresso, porque não vai existir oportunista no meio do povo?
8.       E se de tudo que está acontecendo, existe um ponto positivo, é que, finalmente, as pessoas estão buscando informações sobre a política brasileira e debatendo sobre ela.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Diálogos Sem Sentido

   Bom, para situar todos da situação, após ler um texto, muito bem escrito, por sinal, de um amigo queridíssimo meu, sobre a veracidade do Estado laico brasileiro, me veio a ideia de criar com ele uma espécie de coluna em forma de diálogo, em que elegeríamos um assunto, criaríamos perguntas e por fim, as responderíamos. Assim, criamos o Diálogos Sem Sentido, que, na verdade, para aqueles interessados, farão muito sentido, já que debateremos assuntos da atualidade e de cunho, preferencialmente, político e social. No meu blog constará as respostas do meu amigo, Vitor Vaz e no blog dele(http://dmsentido.blogspot.com.br/), as minhas respostas. Já adianto que, por anos de amizade e companheirismo, esses debates tendem a ser baseados em bons argumentos, seriedade e um pouco de informalidade, afinal, isto é um blog. Espero que gostem!



ABORTO







IroniadeMaria.: Ser Legal é diferente de ser a favor da prática?


VitorVaz: Considerando que vivemos em uma democracia, os direitos de uma pessoa não podem afetar o de outra, certo? A partir disso o direito de uma pessoa de ser contra o aborto não pode afetar o direito de outra pessoa a abortar, visto que separadas essas ações não concernem ou afetam em nada qualquer outra pessoa. Uma pessoa que é “contra” o aborto, por si mesma, não faria ou recomendaria a outra pessoa que fizesse um aborto, mas ela deve respeitar o direito de uma pessoa que queira faze-lo, independente dos motivos que ela tenha para tal.


 I.M.:Por que é importante legalizar o aborto?


VV: O aborto é uma prática que acontece, e uma questão de saúde pública, independente de ser legal ou não. Assim, a legalização do aborto serviria para evitar que mulheres morram se submetendo a operações arriscadas de aborto, em clínicas clandestinas, e também para recomendar que elas coloquem o filho para adoção, ao invés de abortarem.


I.M.:A mulher tem o direito ao poder total de decisão sobre o seu corpo?


VV: Roe vs Wade foi um caso marco para a discussão do aborto nos EUA, apesar de haver muita polêmica em cima dele, onde foi decidido pelo direito da mulher de abortar (em linhas gerais). Desse caso surgiram duas “definições”: pró-escolha e pró-vida, as quais eu devo falar depois. O importante é saber que o primeiro grupo é o que se preocupa com os direitos da mulher, e visto que a gravidez e suas consequências afetam principalmente ela, a escolha de terminar ou continuar a gravidez é dela, e somente dela. Para mim faz todo o sentido que seja assim.


 I.M.:Até onde a prática é benéfica?


VV: Não vejo benefício ou malefício na prática. Existem casos clínicos, como um feto com anencefalia, em que ela é recomendável (no exemplo citado até necessária e talvez até obrigatória em um local civilizado). Em outros casos é simplesmente a opção de ter um filho ou não.


 I.M.:As práticas, hoje conhecidas, são as mais apropriadas ou devidamente esclarecidas?


 VV: No caso dos lugares em que a prática é legalizada, e existe um protocolo para tal situação, imagino que a prática é eficaz, embora sempre estejamos sujeitos a novas descobertas e revelações que possam melhorar/inovar o procedimento. No caso de lugares em que ela ilegal e ele é realizado em clínicas clandestinas, alguns procedimentos beiram a barbárie, e muitos tem sérias consequências caso ocorra um erro, o que não é incomum.


 I.M.:Até que ponto o feto é vida, afinal?



VV: Do meu ponto de vista, a vida começa a partir do parto, pois até então o feto era completamente dependente da mãe, e não tinha nenhuma experiência “terrena”. É difícil determinar esse tipo de coisa, muito mais achar uma definição que seja consensual a todos, mas eu vejo a vida como liberdade, ser você por você, ter consciência de você mesmo, e isso acontece após o parto. É claro que não tenho memória de meus primeiros anos, e ainda era dependente de outros seres para sobreviver, mas já pensava por mim mesmo e era livre, independentemente disso. Mas falando de vida com o aborto em questão, creio que a partir da décima semana de gestação, aproximadamente a fase em que o sistema nervoso acaba de se formar e o cérebro passa a se desenvolver mais rapidamente, não se deva considerar mais ele como opção, tendo em vista que o embrião se tornou um feto, e tem a estrutura fundamental para a vida e para a formação da consciência.


I.M.:Como funcionaria o sistema de operação do aborto, caso legalizado?


VV: Seguindo o modelo que já existe em alguns países, e julgando que eu seja o senhor supremo e benevolente da Terra, eu promulgaria que a maneira a se proceder, quanto ao aborto, seria: A mulher deve pedir a operação antes que o feto complete 10 semanas, que é aproximadamente quando se forma o cérebro do mesmo. Após o requerimento a mulher teria um aconselhamento médico e psicológico, para informar a ela os riscos do procedimento, além de aconselhar alternativas, como ter o bebê e coloca-lo para adoção. Caso a mulher ainda opte pelo procedimento, ele é realizado, também antes do período de 10 semanas de gestação. A mulher deve pedir a operação antes que o feto complete 10 semanas, que é aproximadamente quando se forma o cérebro do mesmo. Após o requerimento a mulher teria um aconselhamento médico e psicológico, para informar a ela os riscos do procedimento, além de aconselhar alternativas, como ter o bebê e coloca-lo para adoção. Caso a mulher ainda opte pelo procedimento, ele é realizado, também antes do período de 10 semanas de gestação. 


I.M.:Por que o aborto deve se tornar legal em termos de salubridade?


VV: Como já disse, o aborto é uma questão de saúde pública, e ter um sistema de saúde no mínimo excelente é um direito de todos, pelo menos segundo a constituição a qual estou sujeito. Dessa maneira, como existem pessoas que querem fazer uma operação abortiva, sem que sua vida seja posta em risco, o sistema de saúde do país deve cobrir essas situações. É claro que para isso é preciso um investimento substancial em saúde, já que aqui o sistema público de saúde é lamentável, portanto, ao se incluir o aborto, que é um procedimento um tanto quanto delicado, não pode haver um atendimento largado ou demorado (como nenhum procedimento deve ter), pois não é bem uma coisa que se possa adiar.


I.M.: Por que, de fato, a Igreja é contra o aborto?


VV: Religiões são baseadas em dogmas (verdades absolutas). No caso das igrejas cristãs consigo resumir dessa  forma: O aborto é uma forma de infanticídio, já que os cristãos acreditam que a vida começa a partir da fecundação. Assim, o aborto é uma forma de assassinato (aos olhos deles), que vai contra o quinto mandamento (da mitologia cristã, na história de Moisés): “Não Matarás”.
É estranho com eles não se importam tanto com os outros mandamentos, como não fazer imagens de adoração ou usar o nome de deus em vão, dentre outros. Também é engraçado que eles sejam contra a homossexualidade, sendo que os homossexuais são o grupo que menos fazem abortos na face da Terra...



I.M.:Se o Estado é laico, então por que a opinião da Igreja influência tão intensamente na discussão?



VV: Apesar de o estado ser laico, grande parte da população é cristã (fanática), e vários líderes religiosos; pastores e padres; inconstitucionalissimamente fazem propaganda política, além de vários candidatos políticos usarem o pretexto religioso para serem eleitos, e até criam alianças para fazerem prevalecer seus credos nas instâncias públicas. Isso mais o fato de que a justiça federal deixar impune tais ações, que em um verdadeiro estado laico seriam reprovadas e o agente de tais seria multado.Só para explicar porque igrejas não podem fazer propaganda politica, instituições religiosas são (erroneamente) isentas de pagar impostos, mas a partir do momento em que as referidas instituições fazem propaganda política, elas são vistas aos olhos da lei como uma instituição política, e perderiam os direitos de isenção fiscal (idealmente), exatamente pelo estado ser laico, e haver a separação total de religião e política.

terça-feira, 6 de março de 2012


BRASIL,                                                                                                  BRASIL,
COLORIDO.                                                                                          CORRUPTO.           
LINDO!                                                                                                   SUJO!





                               






BRASIL,                                                                      
BRASIL,                                                                 
DIVERSO.                                                                   CONFUSO.                                                                 



                                                                  BRASIL.
                                                                  AMADO,
                                                                  BRASIL.

segunda-feira, 5 de março de 2012

ALIENAÇÃO = PREGUIÇA

Vibe modernista...

CIDADANIA,                                                                            LIBERDADE,
LIBERDADE.                                                                             CIDADANIA

XXI

Em pleno século XXI, o homem mata por ignorância.
O homem cria guerras estéreis.
O homem considera a guerra[um meio à seu objetivo]

Em pleno século o homem aponta o dedo
e verbaliza preconceitos.
Em pleno século XXI, o homem fica cheio de dedos
para os preconceitos.
Em pleno século XXI, ele ainda
se considera maior que a Natureza.
Em pleno século XXI, ainda existe competição
entre os gêneros.
Em pleno século XXI a massa se cala.
Em pleno século XXI a ganância e a mediocridade
cegam o homem " todo-poderoso".
Em pleno século XXI, ainda há os que
optam pela alienação.

A questão nunca foi o tempo.
E sim, Quem estabeleceu a sua marcação.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Wikileaks


   O projeto desenvolvido por Julian Assange é, se não inusitado, audacioso. Enfrentar as grandes potências por meio da liberação de informações sigilosas é uma ação perigosa, mas necessária já que há uma tendência a endeusar aqueles líderes que estão sempre se posicionando em pró de um diálogo democrático em relação à diplomacia mundial.
   Ao se divulgar dados desconhecidos pela maior parte da população mundial, rompe-se com a tendência de sempre crer no que é dito por quem detém a fonte de informação. A maior parte dos meios de comunicação são manipulados por aqueles que os financiam. Ou seja, o Wikileaks não só rompe com o controle abusivo por parte das grandes potências, como reafirma o objetivo da comunicação, que é opinar através da liberdade de expressão, fundamental para a formação de uma consciência crítica. Quando se detém a informação verídica é que se pode julgar um fato pelo o que ele realmente é.
Julian Assange
    Ademais, a história é muito clara quanto às consequências sobre aqueles que tentam calar os meios de comunicação íntegros. Haja visto que um dos fatores que levaram ao fim da ditadura militar brasileira foi a iniciativa de proibir a liberdade de expressão do indivíduo.
     Sendo assim, diplomatas internacionais e governantes influentes deveriam rever seu posicionamento em relação ao Wikileaks. Estariam eles sendo contra esse site devido à preocupação de como as pessoas reagiriam às notícias? Ou por que poderiam ser comprometidos diplomaticamente, tendo a sua moral colocada em dúvida?



Legalização da maconha?






    Tendo em vista a alta frequência com que se tem deparado com o debate sobre a legalização da maconha,   já não é mais possível ignorá-lo. Assim como também  não pode-se deixar de perceber que os componentes de passeatas são, em sua maioria, membros da elite, que representa, na verdade, o mercado consumidor da maconha. Estão eles tão preocupados assim com a vida instável e perigosa que levam os principais afetados pelo tráfico de drogas? Ou estão eles interessados na facilitação ao acesso de compra da maconha?
    Não desconsiderando a importância de se debater o assunto, mas considerando o Brasil, centro das discussões e que, legalizar a maconha em um país que mal consegue controlar com suas leis seus atuais viciados, como irá esse mesmo país controlar os futuros usuários decorrentes da legalização? O máximo que o sistema legislativo brasileiro em conjunto com a permissão de venda da maconha conseguirá é reduzir o tráfico, mas não extirpá-lo. 

    Além do aspecto legal, deve-se considerar que a saúde pública, hoje, já é ineficiente e despreparada quanto ao tratamento do viciado e a garantia de mantê-lo longe do uso das drogas. A falta de infraestrutura quanto à equipe e aparato clínico hospitalar acarretaria em uma sobrecarga no setor público, que teria que distribuir sua verba governamental, já limitada, em grande parte para a área de assistência aos usuários em estado calamitoso.
   Sejamos realistas. A verba destinada à saúde não vai aumentar, aqueles que criam e aplicam as leis serão os mesmo que hoje vemos serem acusados de aceitar propina e cooperarem com o tráfico. Além do mais, existem motivos mais nobres pelos quais seria válido motivar uma passeata, como reivindicar a melhor do ensino público brasileiro. Por enquanto, não tive a oportunidade de ler nenhum argumento favorável à legalização que me fizesse considerá-la um sinal de evolução do idealismo humano em direção à paz e à resolução de conflitos, sendo assim, prefiro me apegar à realidade, de que ainda precisamos amadurecer muito até termos a consciência do que realmente significa dispor a maconha no mercado legalmente.

terça-feira, 7 de junho de 2011

À pátria amada


À Pátria amada

Salve, salve. Como está? Melhorou?
As notícias que recebo de seus filhos não são boas, mas sei que você é forte e há de vencer mais essa. Tantas crises e traições seguidas devem estar abalando você, mas saiba que é amada, idolatrada e jamais será abandonada.Pátria minha, posso ser sincera com você?
Você é rica, gentil e generosa, mas dá muita bandeira, por isso abusam da sua boa vontade. Aproveitadores prometem servi-la e roubam de seus cofres. Covardes juram protegê-la e atiram em sua gente pelas costas. Falam besteiras em seu nome, debocham de seus defeitos, sonegam o que lhe devem.Por outro lado, você nunca esteve tão livre. Tão respeitada pelas colegas. Sua beleza e sua simpatia sempre foram reconhecidas, mas agora elogiam também sua inteligência e seu bom gosto. Copiam o que você veste, querem saber a fonte da sua energia, até depilam-se à sua maneira.Portanto, querida, talvez seu problema seja mesmo de auto-estima. Você é virginiana, de 7 de setembro, certo? Então está sempre desconfiada e insegura. Não consegue tomar decisões e, muitas vezes, foge às responsabilidades.Assuma, Pátria, que você é legal, mas vacila. Aprenda a punir quem abusa de seus favores e a tratar bem quem procura seus serviços. Afaste-se dos puxa-sacos e abrace seus desvalidos. Seus verdadeiros amigos não estão nos banquetes em sua honra, mas nos bobocas que calçam chuteira com você. A hipocrisia, maldita praga que seu ardor atrai, é a raiz dos seus problemas.Mas, calma, tudo tem jeito, você já resistiu bravamente a dias piores. Quando nem se sabia quanto roubavam de você. Quando sujavam seu nome em porões de tortura. Quando seu dinheiro valia tão pouco que era motivo de piada.
E hoje, Pátria, você não carece de grandes atos de heroísmo, mas de pequenos gestos de respeito. Não precisa de novos salvadores, mas dos velhos sobreviventes. Inspire-nos a ver que não somos coitadinhos, somos até sortudos. Vemos tornados, terremotos e bombas terroristas pela televisão. Moramos de frente para a praia, com o mais verde quintal do mundo. Se temos a corrupção como mal encruado, que seja essa a nossa luta. A grande batalha que venceremos em seu nome.Freud disse: "Primeiro, olhe bem as profundezas da sua alma e aprenda a saber quem você é; depois, entenda o que há de errado com você". Cazuza fez uma música dizendo a mesma coisa, lembra?Por mim, você abandonava de vez esse positivismo cafona, que um dia lhe impuseram como lema. Não é pela ordem que seus filhos se destacam pelo mundo, é pela bagunça e festa. O progresso? Vem naturalmente quando se vive em paz, num ambiente fértil. Se é necessário um mote para completar a lacuna, que o escolham de onde sua alma se manifesta: nos pára-choques de caminhão.
Já imaginou? Você de verde e amarelo e, na faixa, em sua testa estrelada, escrito assim: "Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho". Ou simplesmente: "Existo porque insisto". É atrás da pompa dos palanques que se escondem seus inimigos.
Com amor,

Fernanda Young




sábado, 14 de maio de 2011

Tiê

(PARÊNTESES)


Novo disco da banda Tiê , a coruja e o coração é uma delícia. Musicalidade simples e romântica, o disco conta com a participação de Jorge Drexler e uma releitura da música " Você não vale nada  mas eu gosto de voce", do grupo calcinha preta. Fica a dica!


 
música Você não vale nada (mas eu gosto de você)



 
música Só sei dançar com você

Capa do albúm : a coruja e o coração
  1. Na varanda da Liz
  2. Só sei dançar com você
  3. Piscar o olho
  4. Perto e distante c/ Jorge Drexler
  5. Pra alegrar meu dia
  6. Já é tarde
  7. Mapa-múndi
  8. For you and for me
  9. Hide and seek
  10. Você não vale nada
  11. Te mereço


domingo, 8 de maio de 2011

Sábio Varella




O doutor Drauzio Varella é conhecido em sua grande maioria pelos trabalhos apresentados no programa Fantástico exibido pela Rede Globo. Sempre preocupado em transmitir a medicina de uma maneira mais clara e simples para o brasileiro, Varella se propõe a explicar as doenças mais sérias ,entretanto comum ao cotidiano dos brasileiros, mostrando maneiras práticas e reais de combatê-las ou , ao menos, evitá-las.


    Formado pela USP, Drauzio começou sua carreira como médico no Hospital do servidor público tratando de moléstias. Logo depois foi para o Hospital do Câncer, onde dedicou 20 anos de carreira. Por volta de 1989, Drauzio Varella iniciou um trabalho voluntário na antiga Casa de Detençao de São Paulo ( conhecida como Estação Carandiru, hoje desativada) para combater a AIDS. Junto com os presos voluntários, Varella criou a revista em quadrinhos Vira-Lata, em que as histórias todas giravam em torno das prevenções à doença em uma linguagem facilmente compreendida pela malandragem.
     Foi a partir desse trabalho que o médico escreveu o livro que lhe renderia o Prêmio Jabuti de 2000, Estação Carandiru. Neste livro, Drauzio narra vários casos dos detentos, do dia-a-dia, a convivência tensa e perspicaz e as condições precárias em que os presos eram obrigados a "viver". Entretanto, em suas histórias, Varella não julga a ação dos presidiários e não faz nenhum valor de juízo. Apenas narra as situações deixando o leitor chegar às suas próprias conclusões. O único momento em que se mostra indignado é com o vício extremo causado pelo tabaco e as drogas. Ao chegar à Casa de Detenção, o médico encontra grande parte dos soros positivos usando drogas injetáveis, que colaboravam para uma maior disseminação da doença na cadeia, uma vez que essa mesma agulha seria usada por vários detentos. Com o passar do tempo, após muitas palestras e revistas publicadas, os presidiários passaram a ser mais cautelosos e abriram mão da droga injetável. Mas o mal permaneceu, pois a substituíram pelo crack, extremamente abominada pelo médico, que afirma ser a droga mais ordinária ao homem. Na primeira utilização, a droga tem um efeito duradouro, mas a partir da segunda, o efeito é efêmero, fazendo com que as próximas inalações sejam muito mais profundas, o que desencadeia um vício mais violento. O que se raramente lembra é que essas inalações mais profundas chegam ao cérebro de forma violenta, iniciando um processo destrutivo do mesmo.
   Vários são os casos narrados pelo Doutor durante o livro de presos que se endividaram na cadeia por conta do Crack e por isso perderam a vida. A parte mais divulgada pela mídia sobre a Casa de Detenção vem ao final, o combate dos PM's no dia da rebelião mais famosa da Estação Carandiru, em que publicamente divulgaram 111 mortos e no relatório da polícía constava no máximo feridos. De acordo com os sobreviventes, o número estimado foi de 250 cadáveres mortos a sangue frio.



Prêmio Jabuti 2000

coletânea de contos

terça-feira, 3 de maio de 2011

Ramificação

Um blog em que o tema é quem faz a moda!



O blog ironiademaria continuará trazendo curiosidades e um ponto de vista particular sobre o cotidiano enquanto o modagenesis lhe contará sobre as façanhas dos estilistas desde os tempos primórdios até o seu auge!  









domingo, 24 de abril de 2011

Momento Glimmer Twins

Sem pretensão de me comparar aos grandes compositores, que forçados a compor ( chegaram a ser trancados na cozinha do hotel com o aviso de que só sairiam de lá com algo escrito no papel. Bendito seja o Oldham) criaram músicas legendárias. Então, me atrevendo a escrever após completar a leitura do livro Vida , de Keith Richards, segue o meu momento Glimmer twins, pseudônimo criado por Jagger e Richards para denominar a própria dupla, autora de todas as músicas dos Stones.





          Don't offer me a cigar today, 'cuz I migth say yes

   I've been walking
   boy, how I have
   I look around and it just
   blows me away
   How in hell can They be so selfish?
   How? I`m asking you.

   I start walking faster
  ' cause it seems to be better
   just ignore what`s 'round me
   It makes everything easier
   but the speed makes me panting 
   I gotta slow down. 
   So please, don`t offer me a cigar right now 'cause I might just take it
   Yes I`ll
   I`ll calm down
  in every smoke my nightmares will dissipate
  

    My worst fears will be gone
    But, no. Do not offer me that
    'Cause I'll say yes
    that's the easier way out
    It's an easy way to choose for living
    But I don't wanna live alienated
    I'd rather smoke my lugs off then not see
    what's been happening next to me.
    So yeah, offer me a cigar and I'll show you who you really are.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Keep calm and _______



Pôster original




     "Keep calm and carry on" é o terceiro pôster criado pelo Ministério da Informação britânica ,durante a segunda Guerra Mundial, em ordem de impulsionar a moral da população britânica passando uma mensagem do Rei George VI. O pôster original contém o fundo vermelho e a única imagem é da coroa do Rei George VI.
O ator Rupert Grint
     Os dois  primeiros pôsters que traziam as mensagens "Your Courage, Your Cheerfulness, Your Resolution will Bring Us Victory" ( Sua Coragem, Sua Alegria, Sua Determinação trarao vitória ao US) e "Freedom is in Peril"( Liberdade está em perigo) forão impressos e distribuídos por todo o país durante a guerra. A terceira, "Mantenha a calma e siga em frente" chegou a ser impressa, mas não foi distribuída. Ao final da Guerra, os pôsters foram todos recolhidos, acreditando-se que somente dois haviam sobrado. Os únicos "sobreviventes" foram descobertos por Mary e Stuart Manley, que possuem uma livraria. Quando foram jogar fora uma caixa de livros velhos, eles encontraram um dos pôsters escrito " Keep calm and carry on". Os donos da livraria gostaram tanto que mandaram emoldurar e pendurar a mensagem na porta do local.
Logo no início seus clientes adoraram a estampa e viviam fazendo ofertas de compra. Assim, Mary e Stuart passaram a fazer várias cópias para vender. 
      Desde 2000 o pôster se tornou notícia em vários jornais, revistas, programas de Tv em todo o mundo. Como ele não possui direitos autorais está legalmente sujeito a paródias e cópias, sempre mantendo a parte inicial, Keep calm and...







Para saber mais: http://www.keepcalm-o-matic.co.uk/guide_to_keep_calm.aspx

                         http://www.keepcalmgallery.com/

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Eu rotulo, Tu rotulas, Nós rotulamos!


     As generalizações são em grande parte usadas para agrupar objetos ou pessoas com uma característica em comum. Mas me parece que essas generalizações, na maior parte dos casos, tem um sentido mais negativo do que positivo. Esse arredondamento se dá em grande parte, pelo o que se julga a partir do que se vê e o que se tem de informação. Não julgar aquilo que nos rodeia é complicado. É natural do homem olhar para algo e buscar, dentro do que ele detém de conhecimento, alguma informação que se assemelhe àquilo que se encontra diante de seus olhos. É o famoso preconceito, que de tanto usado como adjetivo para classificar aqueles com atitudes intolerantes para com os demais, passou a ser vista como uma palavra ruim. Mas se formos analisar sua etimologia, veremos que preconceito nada mais é que um conceito pré formulado daquilo que desconhecemos. O erro está em julgar negativamente. Está em olhar para o desconhecido com desconfiança e por  estranhá-lo, chamá-lo de estranho.
     Só porque é novidade, não quer dizer que é ruim. Julgar é natural, mas pegar essa opnião formada e se fechar para as outras é ignorância e prepotência. É pensar que se é melhor que todos as pessoas que te rodeiam e , talvez, a estudiosos que dedicaram anos de carreira para compreender àquilo que é ignorado pela sociedade. O senso comum foi e sempre será um facilitador da comunicação humana, entretanto ele apresenta uma segunda face, não tão heróica quanto à primeira. Tem que ser esclarecido que nem tudo aquilo que se prega no meio social é o que de fato é. É esse tipo de enclausuramento intelectual, que leva à formação de preconceitos negativos. A homofobia é uma delas e , se não, a mais grave. Só porque, tanto o homem quanto a mulher, por não se sentirem  bem com aquilo que foi regrado pelo meio em que ele ou ela vivem e decidem, corajosamente, viver em pró do seu bem-estar, eles são colocados como  seres "errados", como se fosse algum tipo de defeito viver como lhe é conveniente. Desde pequenos somos educados, não intencionalmente, mas naturalmente, de que um casal é composto por um gênero do sexo masculino e por outro do feminino. Então, crescemos acreditanto que isso é o correto. Mas um casal, é uma dupla, é formado por parceiros, é uma parceria que independe do gênero. Aqueles que se mantiveram como sempre lhe foi ditado, que preferiram se relacionar com o sexo oposto, ótimo. Aqueles que preferiram se relacionar com pessoas do mesmo sexo, melhor ainda. Contanto que estejam satisfeitos com suas escolhas, nada mais deveria importar.
      Deixe os rótulos para os produtos comercializados. O ser humano pode ter uma certa bagagem, mas é uma bagagem que tende a mudar à medida que se adquire novas informações e experiências. Tentar empacotá-lo como se fosse um produto é um engano. Um erro muito comum, infelizmente. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

   

 Ler devia ser PROIBIDO



   A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
   Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação. Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
  Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
  Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
  Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
  Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
  O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
  É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem do submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.
  Alem disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Guiomar de Grammont


      fotos: weheartit.com